quarta-feira, 11 de setembro de 2013

A culpa é das estrelas.

            Se Hazel Grace visse-me aos prantos ao final do livro que conta sua breve história com Augustus, creio que ela teria me lançado um olhar de reprovação. Não a recrimino por desprezar minhas lágrimas, Hazel Grace, mas vou falar sobre vocês, quer você goste disso ou não. 
            Comprei meu exemplar de A Culpa é das Estrelas na última bienal do livro, motivada pela impressão de que seria uma história leve e feliz para ler, mesmo que a protagonista fosse portadora de câncer. Eu imaginava algo com muito romance e superação, e a necessidade de algo para me distrair e os 10% de desconto também me incentivaram bastante, admito. Enfim, há quatro dias comecei a ler, terminei há menos de uma hora. Aqui estão as exatas palavras que eu disse para minha prima quando ela perguntou o que eu estava achando da história, há dois dias: 
            - Amanda, minha opinião sobre esse livro por enquanto é que ele é bem fofo, apesar de meio surreal porque o Gus age como Prince Charming. Não é nada excepcional, mas é gostosinho de ler.
Ela concordou comigo, dizendo que era tão meloso que deixava meio surreal por mais que estejamos amando a história. Hazel pareceu meio bobinha e pouco interessante no começo, mas continuei a ler e, para minha surpresa, cheguei ao ponto que estava ávida por descobrir o que aconteceria com eles dois. 
         Hazel Grace e Augustus Water e seus diálogos cheios de sarcasmo, reflexões existenciais e momentos fofos aos montes começaram a me arrancar sorrisos durante as leituras no caminho para casa. Eles conquistaram um ao outro e, não satisfeitos, me conquistaram também! Eu não lembro quando foi a última vez que li um romance adolescente sem me sentir idiota por estar perdendo meu tempo com uma porcaria clichê, mas, definitivamente, A Culpa das Estrelas vale a pena. Mesmo os momentos que são tão queridos e perfeitos que nos parecem fora da realidade conseguiram me convencer, eu acabei percebendo que eles eram realmente muito honestos, e acreditei de todo o coração, vendo as cenas passar na minha cabeça como um filme enquanto eu lia. E agora, sabe o que eu acho? Que as pessoas deveriam ler histórias como essas sempre. Esse pequeno pedaço da vida da Hazel e do Gus não é pura felicidade e superação vencendo uma batalha contra o câncer e descobrindo o verdadeiro amor, mas uma corrida contra o tempo enquanto se assiste as chances de ser lembrado pelo mundo indo embora – e como o Gus queria poder fazer algo digno de ser lembrado. A realidade deles era algo difícil, eles mereciam um ao outro, eram duas pessoas que se encaixavam de um jeito muito belo, e acredito que foi essa conexão que eles nem sabiam que existia que motivou o interesse do Augustus pela Hazel assim que a conheceu.
             Ao final do livro, eu estava aos prantos e muito sensibilizada. Mas, repito que vale a pena, que Hazel e Gus têm muito a ensinar. E fica, lá no fundinho do coração, um desejo de que histórias tão bonitas como essa não fossem algo tão longe da nossa realidade assim.

                                                                      - O.k.
                                                                      - O.k. ♥

terça-feira, 6 de março de 2012

Sobre personagens inesquecíveis e humanidade: Ana Fonseca


           Nunca fui fissurada em novelas, mas nunca dispensei boas histórias. Sendo assim, às vezes eu me encontro acompanhando encantada alguma trama nova, sem querer perder nenhum segundo, nenhum detalhe.
            Quando A vida da gente substituiu Cordel encantado, eu não imaginei que iria gostar mais do que tinha gostado da anterior. Já estava com saudade da Açucena e do Jesuíno quando Ana, Rodrigo, Manuela e todos os outros personagens chegaram. Cada um com um dilema, com sentimentos tão transparentes que poderiam ser de pessoas pelas quais você passa na rua todos os dias. Por essa identificação ser tão possível foi que eu me apaixonei pela novela e ainda mais pela Ana, personagem da Fernanda Vasconcellos.
            Não sei quantas vezes eu chorei junto com a Ana, não deve nem mais caber nos dedos das mãos. Apesar do que ela estava vivendo ser muito diferente do que eu vivo, eu via que ela se sentia do mesmo jeito que eu, com medos e urgências iguais aos meus. Ana era uma campeã, uma estrela do tênis, mas o que ela mais desejava era a felicidade que encontraria em um relacionamento com a pessoa que amava, que era Rodrigo. Os problemas que os impediam de ficar juntos eram bastante complicados, porém superáveis. A imaturidade de ambos e influência da mãe de Ana sob ela os afastou, sem Rodrigo saber que iria ser pai. Nenhum dos três – Ana, Rodrigo e Manuela - sabia o quão complicada a vida se tornaria devido às decisões que estavam sendo tomadas naqueles dias, e os problemas iniciais cresceram como uma bola de neve.
            Enfim, Ana havia decidido que contaria toda a verdade para Rodrigo. Saiu da casa da mãe e junto com Manuela e Julia, ela foi para a casa da avó aonde encontraria Rodrigo e eles se acertariam. No caminho, porém, um acidente fez com que Ana entrasse em coma e permanecesse assim por seis anos. No lugar de Ana, Manuela contou à Rodrigo que ele era pai de Júlia e os dois tiveram que criar a menina juntos e com o apoio de Iná, avó de Ana e Manuela. Manu deixou de ser a irmã que sempre ficava em segundo plano para se tornar uma mulher independente e forte, para se tornar mãe da filha que sua irmã havia deixado. Ela abriu o próprio negócio, amadureceu e assim, Rodrigo e Manuela acabaram se apaixonando e se casando. Exatamente este fato me fez gostar bem menos da Manuela, eu entendi o que aconteceu entre os dois e os motivos para eles se apaixonarem, mas e a Ana? Ana não estava morta, ela poderia acordar sim, mesmo que fosse difícil de acontecer. Alguém imaginou como seria difícil para ela quando finalmente acordasse? Não.
            Os anos se passaram e ela acordou. Acordou para descobrir que o mundo que conhecia havia mudado, que sua filha havia crescido e não a considerava como mãe, que o amor da sua vida era agora marido da sua irmã e que nunca mais poderia jogar tênis. A única coisa que não mudou era que continuavam cobrando que ela fosse forte que nem a campeã que costumava ser, mas Ana não conseguia mais ser tão forte, ela não tinha mais uma base e a vida cobrava que crescesse em pouco tempo o tanto que deveria ter crescido em seis anos. A frase que define completamente a luta da Ana está em sua trilha sonora: “Decidir avançar o meu caminho sem deixar que o passado e o destino possam destruir uma vida honesta”. E mesmo com tanta dificuldade, como assim a Manuela não entende quando a Ana não resiste ao Rodrigo e o beija? Ela deveria ter sido a primeira a entender a irmã. Só a irmã, porque o Rodrigo foi o mais errado da história. Enfim, a Manuela não ficou seis anos em coma, ela nunca poderia recriminar a Ana por cometer erros.
            A vida e o tempo trataram de mostrá-los todas as respostas, e depois de tantos altos e baixos, Ana se redescobriu na carreira, conseguiu ser a mãe que queria ser e aprendeu o que realmente era amar junto ao médico que cuidou dela durante os anos em que esteve internada. Ela reaprendeu a ser forte, reaprendeu a ser campeã, ela se tornou adulta.
            Deu tudo certo no final, Ana, para nós duas.

P.S.: Palmas para Fernanda Vasconcellos, que sobre interpretar sua personagem com extrema perfeição
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sábado, 31 de dezembro de 2011

2012.

É irônico esperar coisas melhores de um ano em que todo mundo diz que o mundo vai acabar? Haha.
Não, não acredito nisso, foi só para descontrair.
Pois é, há um ano atrás eu também estava esperando coisas melhores mas 2011 foi horrível, fazer o quê?
O fato é que de nada adianta esperar coisas diferentes se você continua igual, e eu não mudei nadinha as minhas atitudes para querer algo bom da vida. Pois é, colhi o que eu plantei. Sofri pra caralho, como diz por aí quem sofre pra caralho.
Mas, quer saber? Estou de pé. Estou aqui e vou em frente, com um medo terrível do que vem pela frente: último ano de técnico que vai arrancar minha pele fora, estágio, trabalho, faculdade. Aceitar que a adolescência está em seu finalzinho, e que agora é a vida adulta que eu tenho que encarar, que as tardes livres para dormir acabaram.
Que venham coisas boas não para substituir, mas para acabar com a dor que foi perder tudo que eu perdi esse ano.

Feliz 2012 para todo mundo!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

I'd lie.


         Ele é o homem mais carinhoso do mundo e, acredite, ele me ama. Ele me ama muito, e nem se preocupa em disfarçar, omitir, em mentir para se proteger.
         Desde que eu era criança, uma garotinha assistindo filmes, lendo livros românticos e desejando aquilo tudo para mim eu esperei por alguém que me dissesse as coisas que ele diz, que me desse presentes em ocasiões inesperadas, que cativasse a minha família, ouvisse os meus problemas e tentasse me ajudar a resolvê-los, secasse as minhas lágrimas infantis como se não fossem tão infantis assim e me ajudasse a me sentir melhor. Eu queria um melhor amigo que fosse um ótimo namorado, que segurasse a minha mão e me transmitisse segurança, e ele poderia ser tudo isso se eu quisesse.
         Só que eu não quero. Eu quero aquele que diz que me ama, mas depois volta atrás por não ter coragem de ficar comigo, aquele que banaliza tudo o que eu acho incrível e é a causa da maioria dos meus problemas, ao invés de ser a solução. Enquanto isso, raramente o meu melhor amigo diz que me ama, mas ele não precisa dizer para que eu saiba. Ele manda uma mensagem singela antes de dormir dizendo que se lembrou de mim com uma música, não me deixa voltar para casa sozinha mesmo que isso signifique se atrasar para chegar a casa dele. Ele vem tocar Taylor Swift no violão se eu pedir, me ajuda a entender quem eu sou, diz que eu estou bonita com o cabelo embaraçado e cara de sono, me ajuda a escolher uma profissão e mesmo quando faz alguma crítica, faz com sensibilidade. Ele prometeu que nós vamos passar o Natal em Nova York algum ano, e eu sei que se ele pudesse, nós iríamos hoje, agora. Qual o problema comigo para não conseguir retribuir tanto amor? O que eu tenho de tão errado que impede meu coração de bater mais forte quando eu o vejo? Talvez, ele seja o último homem que presta na face da Terra, o último homem – meu pai não conta – que acorda de noite para trocar uma fralda e não acordar a esposa, que não desejaria nenhuma mulher se ao seu lado ele já tem uma, que chegaria depois de um dia longo de trabalho e ainda consertaria alguma coisa que quebrou com boa vontade e um sorriso no rosto. Quem eu realmente quero nunca leu nada que eu escrevi porque não tinha paciência, mas o meu melhor amigo deu até um nome para minha coletânea de contos, um nome tão bom que nem eu teria imaginado. O último homem que presta na face da Terra me ama, e eu pareço não me importar. 
         Minha mãe sempre diz que no dia que ele não ligar tanto assim para mim é que eu vou ter alguma noção de tudo que eu perdi, mas isso não é verdade porque eu já sei de tudo que estou perdendo e tenho raiva de mim mesma por isso. Eu o amo muito, muito, ele cuida tanto de mim que eu nunca poderia agradecê-lo por tudo que já fez, mas ele merece alguém melhor do que eu ao seu lado, alguém que o ame da mesma maneira que ele pode amar alguém.


quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

All I want for christmas is yoooooooou, baby ♫

   Natal não é dia de ação de graças para todos se reunirem e dizerem as coisas pelas quais são gratas antes de começar a comer, mas acho importante que pelo menos alguns minutos sejam dedicados para esta reflexão. O ano está acabando e muita coisa aconteceu, por mais rápido que 2011 tenha passado. Para mim foi um ano difícil, não tão bom quanto eu gostaria, mas não foi ruim, aliás, passou longe de ser ruim. Não vou chamar de ruim tantos aprendizados e tantas experiências novas, tantas coisas que eu aprendi na escola e na vida. Eu quero reunir todas essas coisas boas e fazer de 2012 um ano incrível, acho que tenho condições de fazer isso, então irei. É meu último ano de escola, de ensino médio/técnico, e isso está dando um nó na minha cabeça. Quando eu cheguei na CefeteQ (agora IFRJ), o fim parecia tão distante e agora ele está logo ali, dá até para ver. Vou deixar meu ambiente seguro e conhecido, com todas as pessoas que eu amo e todas as lembranças que eu tenho, que eu levo comigo, vai ser o fato mais marcante do ano com certeza. Com certeza, tudo que eu estudei esse ano é pelo que sou mais grata, por todo o meu conhecimento adquirido e todas as histórias que eu escrevi também. Ainda existem, é claro, coisas pelas quais sou muito muito grata também:


  • Minhas amigas, minhas meninas lindas! Elas sempre me deixam alegres, sempre me escutam, sempre me apoiam, me aturam o dia inteiro e nem reclamam. Vocês são incrivelmente incríveis, obrigada por estarem na minha vida. Não só as da foto, mas todas as outras, incluindo as minhas laranjetes e os meus meninos. E, é claro, a minha melhor amiga, psicóloga e nutricionista: Nathy <3
  • Minha família, sempre. Porque se a base não é sólida, todo o resto desaba.
  • Todos os livros que eu li, todas as frases e trechos dos quais eu nunca vou esquecer. Minhas heroínas literárias, minhas personagens, meus homens ideais.
"Tudo isso só para você me abandonar de novo." Lílian, A Tequila Vermelha - Rick Riordan
"So I found myself telling my own stories. It was strange: as I did it I realized how much we get shaped by our stories. It's like the stories of our lives make us the people we are. If someone had no stories, they wouldn't be human, wouldn't exist. And if my stories had been different I wouldn't be the person I am." John Marsden, The night is for hunting
(Então eu me encontrei contando minhas próprias histórias. Era estranho: enquanto eu fazia isso eu percebia o quanto somos definidos por nossas histórias. É como se as histórias das nossas vidas nos fizessem ser quem somos. Se alguém não tem histórias, então não é humano, não existe. E se minhas histórias fossem diferentes, eu não seria quem eu sou.)

  • Sou grata por você, acredite. Em todas as vezes que eu chorei esse ano, mesmo que não fosse por sua causa, a sua presença dentro de mim me fazia chorar mais, fazia qualquer dor ser pior. Quando eu deixei cair aquele copo e fiz aquele corte fundo no dedo, nem doeu. Mas eu sabia, e você também sabe, que foi por sua causa que ele caiu. Então eu chorava como uma criança assustada, uma criança que caiu e ralou o joelho. Acho que naquele dia, no fundo, eu era aquela criança, mas hoje, também por sua causa, eu não sou mais.
  • A viagem para Foz! Eu sou EXTREMAMENTE grata por aquela viagem. Foi a semana mais feliz do ano, a mais divertida, a mais louca, a semana em que eu mais curti os momento, haha. Não é sempre que se pode passar uma semana inteirinha com as nossas melhores amigas que moram longe, tem que ter muita sorte, e eu tive. Foz do Iguaçu é uma cidade linda e muito legal, não deixem de visitar se tiverem oportunidade. Se forem, visitem o Paraguay, é um paraíso para compras. Sou muito grata pela bolsa da Guess que eu comprei lá s2. 


  • Sou muito grata pela minha nota na redação do ENEM. Se eu encontrasse quem a corrigiu, daria um abraço nessa pessoa. Faculdade? No, thanks. Depois dessa eu vou escrever um livro.
  • Sou grata por Glee, por fazer meus dias mais felizes.

    Também sou grata pelos nove dias de férias que foram concedidos aos pobres estudantes do IFRJ, mas chega de tanta gratidão. Feliz Natal para todos que estão lendo o Nuvens Estranhas, que vocês tenham tantas coisas para ser gratos quanto eu, que esse Natal seja maravilhoso e iluminado, não apenas mais uma arma capitalista, risos. 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Onírico


            Pouco passava da meia-noite e ela, pouco passava dos dezoito. Havia dois mares: um de confusão e outro de águas agitadas e mornas. Ambos perigosos se você não sabe nadar. Ela vestia um casaco branco fino sobre o vestido esvoaçante azul. Os cabelos acompanhavam o movimento inquieto do vento frio.
            Viver uma vida que não se assemelha em nada ao que se deseja é frustrante, e bem doloroso à partir do momento em que se tenta mudá-la, sem sucesso. Os passos na areia retrocedem, embora ela tenha certeza de estar andando para frente. O que está havendo? Até quando nada vai fazer sentido? Para onde é que ela vai agora?
            Para o mar.
            Deixa essas sapatilhas na areia, corre, corre!
            A água encontra os dedinhos dos pés e causa arrepios. A próxima onda molha toda a barra do vestido. Que seja.
            Ela vai entrando, mesmo sentindo frio. A água está na cintura agora.
            Que bonito isso, de se entregar para o mar. Que viagem assustadora, serena e silenciosa. Você não sabe onde vai parar, mas ser levada pela correnteza, sem relutar, é libertador.
            Nem existe espaço para o medo.
            A água já bate nos ombros, e ela escuta uma outra voz, tão serena quanto a do mar. Parece que o corpo de seu dono emergiu da areia, e que a água salgada corre nas suas veias.
            - Sabe nadar?
            - O que parece para você?
            - Que está aprendendo a maneira correta agora.
            Ela sorriu.
            - Exatamente.
            Ele segura em sua mão, e pergunta:
            - Para onde?
            - É você quem decide, eu apenas sigo.
            - Mais adiante não é para você ainda.
            Ele estava mirando o horizonte enevoado com os olhos cor de alga e os cabelos cor de peixe. Ela fez o mesmo, e falou:
            - Também não quero voltar.
            - Você não precisa.
            Ele a abraçou. E a calmaria repentina era causada pelo encaixe de duas necessidades.
            - Você demorou, - ela disse – tive medo de que não viesse mais.
           
Era um sonho do qual acordar seria cruel demais.

            Take me by the hand, take me somewhere new. I don’t know who you are but I’m, I’m with you.
            

domingo, 18 de dezembro de 2011

I feel pretty, but unpretty,

"And I pity any girl who isn't me tonight."


                Estou afogada em um infinito de opostos. Caminhos opostos, personalidades opostas, sentimentos opostos, opiniões opostas. É tanta oposição que deve ser mais seguro sentar e esperar passar, não decidir nada. Não sei nem o que dizer sobre quem vejo quando olho no espelho, agora pode ser quem eu mais amo e daqui um tempo, talvez eu faça uma lista de coisas que gostaria que mudassem nessa pessoa. Começando pela aparência, passando pelas atitudes e terminando no passado. Não quero ficar sozinha, mas não quero que ninguém me atrapalhe, me perturbe, me incomode, me conteste, me desafie. Quero apenas que me ouçam, que concordem comigo, que digam que estou certa. 
                Esforcei-me muito para me tornar quem sou e não é agora que vou me contentar com pouco. Não é agora que tenho consciência do meu próprio valor que vou aceitar qualquer coisa que a vida ofereça para mim ou seguir o primeiro vento que soprar. Vou soprar meu próprio vento e o que eu quero, nada nem ninguém vai me oferecer porque eu mesma vou buscar o que me pertence.
                Caio no mesmo questionamento de sempre então, não sei se estou certa ou errada. Não sei se digo a direita ou a esquerda. Não sei se desejo que os ventos soprem ou se aproveito a calmaria. Se tudo começa aqui, porque é que eu desejo que esse começo acabe logo?